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Kiki

 Kiki nos deixou. Ela esteve com a gente por pouco mais de 10 anos. Destes, principalmente comigo. Uma cachorra carinhosa, companheira, amiga. Minha bebezinha, como eu a chamava. Mas para os auaus o tempo e diferente... Ela, que chegou filhote, agora estava idosa, cansada e, infelizmente, doente. E, mais recentemente, num ciclo de idas e vindas de sofrimento tão grande que optamos por deixa-la ir. Obviamente, uma escolha muito difícil... Toda a família sentiu. Todos estão sentindo a falta dela. Cada um vivendo seu luto. E pensando nisso, hoje, 4 dias depois, eu peguei pensando: praticamente ninguém do núcleo familiar íntimo me consolou. De novo, cada um vivendo seu luto... Mas não consigo deixar de pensar. Quando tomamos a decisão, minha sogra estava em casa. E ela parcitipou da decisão também. Mas saiu chorando... Ligou para a sobrinha, chorando. Mais tarde tentei me aproximar para consolar, sem sucesso. Mas se ela sentiu, imagina eu? Sou eu quem convivo com a ausência todos os di...

Luto da amamentação

 Estou de coração partido. O desmame tem sido um processo bastante difícil. Seja pela sensação de impotência, de frustração, de dor física a cada vez que ele mama - devido os seios estarem sensíveis demais conforme a nova gestação avança. Mas o sentimento que me aflige agora é uma grande tristeza... Verdade seja dita, se eu não tivesse grávida, provavelmente não aceleraria o desmame. Deixaria acontecer no tempo dele... eu gosto de amamentá-lo, de acalentá-lo em meu seio, de fazê-lo dormir, de ter nosso momentinho toda noite... Mas ontem, quando ele pediu Tetê para dormir a tarde, eu conversei com ele e disse que me machucava... Que iria dar o Tetê que ele pedia, mesmo sabendo que ele não precisava disso (pois já creche ele consegue dormir sozinho), e que ainda era dia, e mesmo sabendo da relativa compreensão dele em aceitar que tínhamos um tempo limite e tal, e eu chorei quando ele agarrou o peito e doeu. Chorei de dor, chorei de frustração, e ele viu. E isso não podia ter aconteci...

Arroz

Eu sei que não cozinho muito bem - fato aceito, não me incomoda, nem precisa tentar me convencer do contrário. Nunca tive pretensão de ser uma mestre cuca, mesmo. E eu adoro não ter que cozinhar. Antes achava que eu tinha a obrigação de. Se uma visita vem a minha casa, seria legal eu cozinhar algo para receber. Ainda mais se for uma visita querida. Não gosto tanto de cozinhar, mas gosto de ser uma boa anfitriã. Chega a ser um pequeno prazer secreto. Então, quando vinham a minha casa trazendo comida pronta, eu me sentia desconfortável... Como se estivesse falhando em algo. Mas com o tempo passei a aceitar isso como um presente, um agrado. Pode vir me visitar e trazer comida pronta. Mas num país onde todo mundo come arroz e feijão, onde o arroz é item indispensável na dispensa, e onde qualquer um sabe cozinha-lo... Não é esquisito trazer arroz pronto pra ser requentado por uma semana?

Solidão

 Toda mãe é um pouco solo. Eu sei que dizer isso é esdrúxulo e e até desrespeitoso para com mães que realmente são solo... Mas eu não falo dos desafios da vida, mas sim de um sentimento que aparece de vez em quando. Eu sou grata por meu filho ter um pai presente e adoro vê-los juntos. Mas ter de ser grata por ter alguém com quem contar e muitas vezes ter que se virar sozinha mesmo assim é de uma solidão enorme.

Sacrifício e Contradição

 Hoje bateu diferentes saudades... Saudades de uma trilha de caverna, ou de cachoeira, com um final refrescante... Saudades de um mochilão por aí... Saudades de fazer viagens malucas... Saudades de uma despretenciosa margarita. Vi esses dias um vídeo onde uma mãe falava dos pequenos sacrifícios da maternidade... aqueles que ninguém vê. Que parece que nem fazem falta... mas as vezes fazem. Só que agora, enquanto aqui escrevo, e meu filho brinca em outro cômodo com o avô, eu sinto saudades dele também. Então, se eu pudesse escolher? Sei lá. Escolheria levar ele nas costas. Mas escolheria um pouco de liberdade também. Escolheria sacrifício e contradição. É o que escolho todo dia, afinal. E, na verdade... até que tô bem assim.