Kiki

 Kiki nos deixou.

Ela esteve com a gente por pouco mais de 10 anos. Destes, principalmente comigo. Uma cachorra carinhosa, companheira, amiga. Minha bebezinha, como eu a chamava. Mas para os auaus o tempo e diferente... Ela, que chegou filhote, agora estava idosa, cansada e, infelizmente, doente. E, mais recentemente, num ciclo de idas e vindas de sofrimento tão grande que optamos por deixa-la ir. Obviamente, uma escolha muito difícil...

Toda a família sentiu. Todos estão sentindo a falta dela. Cada um vivendo seu luto. E pensando nisso, hoje, 4 dias depois, eu peguei pensando: praticamente ninguém do núcleo familiar íntimo me consolou. De novo, cada um vivendo seu luto... Mas não consigo deixar de pensar.

Quando tomamos a decisão, minha sogra estava em casa. E ela parcitipou da decisão também. Mas saiu chorando... Ligou para a sobrinha, chorando. Mais tarde tentei me aproximar para consolar, sem sucesso. Mas se ela sentiu, imagina eu? Sou eu quem convivo com a ausência todos os dias.

Meu sogro estava também. Nem uma palavra a respeito... Vida seguiu normalmente.

Minha cunhada, que tinha um laço íntimo com a cachorrinha, do período em que morou com a gente, sentiu demais. Se houvesse um termômetro da dor, eu não me surpreenderia de a dela ter sido maior que a minha naquele momento. E nós nos consolamos. E só...

Mas ninguém me perguntou como eu me sinto.

O luto é algo estranho, ninguém sabe mesmo lidar...

Talvez, então, seja melhor deixar pra lá.

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