Sótão x Porão
Confesso que, dentre a diversidade de círculos sociais nos quais me incluo, pelo menos um deles compreende pessoas socialmente privilegiadas. Entretanto, por motivos complexos demais para se explicar num texto curto, tenho razões para acreditar que talvez, de todo o grupo, eu seja uma das pessoas de menor status. E aí, dia desses, numa conversa, uma delas mencionou que tem um sótão. E eu, tenho um porão.
Não só tenho um porão... também moro num porão alheio.
Das duas casa no imóvel que moro, a minha é a de baixo e, ao mesmo tempo, a dos fundos. Quem mora em cima mora a tanto tempo que, acredito, as vezes se esquece do vizinho de baixo... não se importa com o barulho que faz, com a sujeira que deixa cair para nosso quintal, ou de atrapalhar nossa entrada e saída para a frente do imóvel. Numa dessas tardes de frustração pelo bloqueio da entrada e sujeira no quintal recém limpo, veio a tristeza de se perceber, de fato, "abaixo", "inferior". Afinal, por vezes, parece que é assim que somos vistos.
E abaixo de nós, tem mesmo um porão, de 1,10m de altura, escuro e úmido, bastante atrativo para tudo que se interessa por escuridão e umidade.
A casa de cima não tem porão... mas tem sótão, também, como a colega que mencionei antes.
Algumas pessoas tem sótão... outras tem porão... outras vivem no porão...
A vida é sutil nos detalhes que colocam cada um no seu indevido devido lugar.
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